A participação de pais surdos na vida escolar dos seus filhos: facilitadores da dinâmica relacional família-escola

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Sobre

A surdez é hoje entendida como uma diferença na experiência humana - distanciada das tradicionais conceções de deficiência e incapacidade - que se carateriza pela impossibilidade de usar a audição para processar a informação, e que está na origem de um grupo identitário definido pelo uso de um sistema linguístico de natureza visual-motora – a língua gestual (Silva & Cordula, 2017). Não obstante constituir uma diferença circunscrita, em termos ontológicos, a uma modalidade sensorial, a comunidade surda encontra, ainda hoje, obstáculos de natureza linguística e atitudinal à sua participação nos diferentes domínios de vida (Singleton & Tittle, 2000). A participação no contexto educativo dos seus filhos é um dos domínios onde se podem pressupor os mais incapacitantes obstáculos, desde logo pela inexistência de mecanismos que garantam o suporte de um tradutor intérprete de língua gestual na comunicação pais-escola (Bezerra & Mateus, 2017). Estas restrições vividas pelos pais surdos, têm permanecido silenciadas, quer no campo político e prático – estando o âmbito da intervenção dos intérpretes em contexto escolar explorada e regulamentada apenas no enquadramento da educação bilingue dirigida aos alunos surdos -, quer em termos investigativos, onde a sua análise tem ficado circunscrita ao fenómeno de intermediação de idiomas e culturas protagonizada pelos filhos (e.g., Moroe & Andrade, 2018).

Vertendo valores fundamentais que visam o direito em aceder e deliberar sobre a vida escolar dos seus filhos e a reafirmação da importância dos serviços de interpretação de língua gestual portuguesa, este projeto pretende: (i) retratar o envolvimento de pais surdos na vida escolar dos seus filhos, avaliando de que modo a condição de surdez interfere no exercício do direito e dever de participação na governança da escola e nas tomadas de decisão referentes aos seus educandos, e (ii) identificar e mobilizar aspetos facilitadores da dinâmica relacional família-escola, ao nível das competências, estratégias e suportes a usar pelos pais e pelos professores. Este projeto integrará, desde modo, duas fases de estudo: (i) uma primeira de natureza descritiva que situará, através de grupos focais e de um questionário, o envolvimento dos pais surdos na vida escolar dos filhos, com identificação de variáveis influentes; (ii)e uma segunda fase de natureza interventiva, que visará a elaboração de um manual de boas práticas e a implementação de um plano formativo com avaliação do seu impacte quanto às dinâmicas relacionais pais-escola.

Referência do projeto: inED/2019/7

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