Sobre
A presente investigação visa analisar as histórias de vida, os percursos de vulnerabilidade e exclusão de pessoas cujas identidades não correspondem ao sexo atribuído à nascença (i.e.,pessoas trans) mais velhas e as suas perspetivas face ao envelhecimento, bem como as respostas institucionais e de políticas públicas para esta comunidade. Este projeto será desenvolvido em diferentes estudos, a partir de metodologias de Investigação-Ação Participativa [31] e com pluralidade no método de recolha de dados. Neste sentido, numa primeira fase (estudo 1) serão realizadas entrevistas, a partir de um guião de entrevista semiestruturado, a pessoas autoidentificadas como trans mais velhas em Portugal e no Brasil. Posteriormente será realizado um questionário a profissionais ligados à área do envelhecimento e da área de género e sexualidades (exemplo: associações LGBT, centros sociais, associações de pessoas reformadas, universidades seniores, partidos políticos, etc.) portuguesa e brasileira sobre as atitudes e conhecimento destes/as sobre respostas institucionais para pessoas trans mais velhas (estudo 2), para finalmente, numa terceira fase (estudo 3) serem realizados grupos focais (com pessoas trans mais velhas, associações de pessoas reformadas, representantes de partidos políticos, de gestão de centros de dia e residências habitacionais para pessoas mais velhas) de forma a discutir os seus posicionamentos sobre as respostas institucionais e políticas públicas para pessoas mais velhas trans. Os dados dos estudos 1 e 3 serão sistematizados segundo a análise temática [1]. Baseada num compromisso com a participação [35] e transformação social, este projeto pretende contribuir para o aprofundamento da reflexão crítica acerca das histórias de vida das pessoas trans mais velhas, dos processos de exclusão aos quais estas estão sujeitas, ao mesmo tempo conhecer as respostas institucionais para esta população, problematizando as principais necessidades e especificidades deste grupo social com vista à elaboração de políticas públicas e ao desenvolvimento de posicionamentos educacionais e sociais promotores da diversidade de género, da inclusão e da justiça social.