Estudo sobre saúde mental dos docentes do ensino superior em tempos de COVID-19

Metade dos docentes em exaustão por causa da COVID-19

Cerca de metade dos docentes do Ensino Superior apresenta fadiga elevada e exaustão pessoal durante a pandemia de COVID-19. A incerteza, a necessidade de planeamento e de resposta a desafios constantes e emergentes, nomeadamente, daqueles que surgem na interface entre trabalho e a vida familiar, são alguns fatores que podem estar na base deste resultado.

A conclusão é de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (P.PORTO, InED), com coordenação de Ivone Duarte e Carla Serrão.

Os números agora conhecidos são semelhantes aos de um estudo anterior, que analisou o impacto da pandemia em profissionais de saúde, muitos dos quais estavam em contacto direto com doentes infetados.

O inquérito online recolheu entre 19 de junho e 30 julho de 2020, 355 respostas de docentes do continente e ilhas. Este número de respostas, de acordo com as coordenadoras do estudo, ficou aquém do expectável, dada à magnitude, transversalidade e pertinência do estudo deste fenómeno junto deste grupo específico. É de salientar ainda que mais de 82% das respostas se concentraram na região norte do país. Os docentes auscultados neste estudo eram sobretudo do sexo feminino (66,5%). Perto de 68% tinha mais de 15 anos de experiência docente e 85% davam aulas em instituições públicas.

O estudo indica que, ao todo, 37% dos docentes sofreram burnout associado à atividade profissional, que se refere a um prolongado estado de fadiga físico e exaustão psicológica percecionado pelos respondentes como decorrente do exercício da sua atividade profissional.

Os resultados são conta que durante os estados de emergência, calamidade e alerta, 96% dos professores do Ensino Superior deram aulas à distância. No entanto, 77% não tinham qualquer experiência prévia no ensino digital.

Neste cenário, o corpo docente teve de se adaptar rapidamente, de improvisar soluções, de reinventar formas de ensinar com base em projetos educativos não desenhados para o ensino à distância. Desenvolveu-se o chamado “Ensino remoto de emergência”, o que é claramente contrastante com o que que é a educação on-line de alta qualidade. Estas respostas de emergência foram à semana e, não raras vezes, ao dia. A baixa literacia digital, a ausência de formação e experiência de ensino através de plataformas online, a ausência de apoio de equipas de tecnologia educacional, que não tiveram mãos a medir para responder a esta realidade sem precedentes, são algumas variáveis que estiveram no âmago deste dado, concluem as coordenadoras. 

Os resultados indicam que mais de metade dos docentes admitiram estar, por vezes ou mesmo muitas vezes, particularmente sensíveis, intolerantes, agitados, com dificuldades em relaxar ou em acalmar. Sabe-se que as condições associadas ao stress interferem no desempenho geral do indivíduo, nas relações sociais, assim como na qualidade e quantidade do sono. No que se refere em particular às características do sono, 60% dos inquiridos referiram alterações ao nível das rotinas sono, sendo identificadas dificuldades em adormecer ou em dormir sem interrupções.

Cerca de um quarto dos docentes referiu ainda sintomas de ansiedade e/ou de depressão. Em cerca de 8% dos casos, esses sintomas eram moderados.

Terminada esta análise preliminar, o grupo de investigação irá centrar o estudo na análise das perceções dos docentes relativamente ao “Ensino remoto de emergência”: vantagens, desvantagens, preocupações e soluções.

Por fim, salientam que perante estes resultados iniciais é urgente que as instituições de ensino superior proporcionem soluções imediatas na resposta a necessidades quer instrumentais, quer socio emocionais a este grupo em particular.

 

Resultados do estudo

 

Recortes de Imprensa

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http://pt.cision.com/cp2013/ClippingDetails.aspx?id=bf633131-d8a7-40ab-be4c-2cb65974becb

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https://oamarense.pt/metade-dos-docentes-em-exaustao-por-causa-do-covid-19/

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https://healthnews.pt/2020/10/26/cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao/

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https://www.jn.pt/nacional/cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao-12964492.html

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https://ovilaverdense.pt/metade-dos-docentes-em-exaustao-por-causa-do-covid-19/

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https://www.noticiasaominuto.com/pais/1613165/metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exaustao

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https://www.noticiasdecoimbra.pt/metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao/

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https://www.noticiasdecoimbra.pt/metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exaustao/

[9]

https://observador.pt/2020/10/26/covid-19-cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exaustao/

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http://www.pressminho.pt/metade-dos-docentes-em-exaustao-por-causa-do-covid-19/

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https://www.radiohorizonte.com/pt-pt/noticias/metade-dos-professores-universit%C3%A1rios-com-fadiga-elevada-e-exaust%C3%A3o

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https://rr.sapo.pt/2020/10/26/pais/covid-19-cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao/noticia/212408/

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https://rum.pt/news/cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao

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https://www.saudemais.tv/noticia/24255-covid-19-cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exausao

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https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/covid-19-cerca-de-metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exaustao

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https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/metade-dos-docentes-em-exaustao-por-causa-da-covid-19

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https://terrasdohomem.pt/2020/10/26/metade-dos-professores-universitarios-com-fadiga-elevada-e-exaustao/

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https://www.dn.pt/pais/metade-dos-docentes-universitarios-esta-em-exaustao-12956753.html